Casa do povoador

- Tombada em 9 de março de 1970 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), a Casa do Povoador é hoje um dos espaços culturais mais autênticos de Piracicaba, onde são realizadas exposições nas áreas de artes plásticas e gráficas, além de cursos e oficinas voltadas para profissionais de arte, educadores, artistas e para o público em geral.
A Casa do Povoador dispõe de salas alternativas e da Galeria "Alberto Thomazi", destinada a exposições periódicas de artistas renomados e outras manifestações. A área externa é trabalhada pelo projeto Arte da Terra, que tem o objetivo de incentivar e valorizar a produção musical da cidade e da região, resgatando antigos grupos e duplas sertanejas de raiz. As apresentações acontecem todos os domingos no final da tarde, reunindo grande público.
No mês de agosto as apresentações folclóricas se intensificam com exibições de grupo de danças e shows musicais, mostras de pesquisas, acervos e artesanatos de diversas regiões e culturas, com a finalidade de preservar e resgatar o folclore local e regional.
O espaço também é enriquecido com o acervo "Boneco do Elias", confeccionado pelo folclorista Elias Rocha, em exposições anuais abordando temas renovados a cada mês de acordo com datas comemorativas, com encenações memoráveis: carnaval, Tiradentes, quadrilhas, casamento caipira, Dia da Criança, presépios natalinos, cenas do cotidiano etc. As outras três salas existentes na Casa do Povoador abrigam diversos projetos culturais durante o ano, bem como as fotos que fazem parte do seu acervo, mostrando todo o processo de recuperação e preservação do local, que data de 1987.

História

Ainda hoje a Casa do Povoador causa polêmica entre os historiadores. Há quem diga que ela tenha sido edificada em meados do século 19 para servir como entreposto de sal.
Em 1794, a freguesia de Santo Antonio foi transferida pelo capitão-povoador Antonio Corrêa Barbosa da margem direita do rio Piracicaba para a margem esquerda, dando início à ocupação urbana e firmando o caminho para a constituição da cidade.
Existem versões do dito popular de que a casa teria sido de Antonio Corrêa Barbosa. No entanto, o que importa é o reconhecimento de que se trata de um exemplar valioso da arquitetura piracicabana do século 19, devido à inexistência de qualquer outro remanescente da época comparável em toda a área urbana, como assinalou o Condephaat no processo de tombamento.
Os poucos registros históricos provam ter sido Joaquina Ferraz de Camargo a proprietária mais antiga. Em 1890, ela teria vendido a casa a Manuel José Ferreira Júnior. Desde então, a Casa do Povoador pertenceu a vários proprietários e, na década de 20, ao Asilo de Órfãos, hoje Lar Escola Coração de Maria Nossa Mãe.
Em 1947, a Prefeitura Municipal adquiriu o prédio e o terreno. Após alguns anos, em virtude do reconhecimento do valor histórico do imóvel, iniciou o processo de recuperação e preservação do local. Hoje, a Casa do Povoador tem manutenção constante e permanece imponente como um dos maiores símbolos das raízes piracicabanas.


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